terça-feira, 22 de julho de 2014

Atividade lúdica reabilita pequenos pacientes no HRPM






O menor Iago não perde uma "sessão" de pipa
A rotina das crianças internadas no Hospital Regional Público do Marajó (HRPM) ganhou um novo colorido com a associação de uma atividade inusitada à fisioterapia clássica: a brincadeira de pipa. Aos fins de tarde, os pacientes da ala infantil que se recuperam de cirurgias ortopédicas, torácicas e abdominais passam um bom tempo empinando pipas na área externa do hospital, acompanhados por profissionais da equipe de Fisioterapia do HRPM. O objetivo é  tornar o atendimento mais agradável, divertido e humanizado. A prática vem ganhando, a cada dia, mais adeptos e surtindo excelentes resultados, estimulando o desenvolvimento físico e motor, além do bem estar desses pacientes.
A idéia de inserir a brincadeira de empinar pipa às atividades fisioterápicas surgiu naturalmente. A coordenadora do serviço de Fisioterapia Pediátrica e Neonatal do HRPM, Monizze Carleto, explica que tudo começou numa tarde de domingo quando o fisioterapeuta Thales Custódio, durante um treino de marcha pela área externa do hospital com o pequeno Alexandre Rodrigues Monteiro, 8, internado no hospital desde o início de junho, devido a uma inflamação no fêmur. “Durante a caminhada os dois viram que uma pipa caiu no jardim, e percebendo a empolgação da criança o fisioterapeuta pegou o brinquedo e deu de presente à criança, que imediatamente pediu que o ajudasse a empiná-la. Daí surgiu à ideia de utilizar pipas no processo de reabilitação”, relatou a fisioterapeuta, relembrando que o pequeno Alexandre passou por um período com comportamento arredio e apático. Segundo ela, hoje o menino é um dos primeiros a se dispor a participar da atividade.
Monizze Carleto (centro) e equipe da Fisio com a crianças
Monizze explica, que em muitos casos, o ambiente hospitalar deixa as crianças com apatia, e algumas vezes, ficam relutantes para sair do leito e caminhar na área externa do hospital, que é totalmente arborizada. É nesse momento que o atendimento humanizado mostra sua importância. "Essa inovação vem sendo usada com crianças que se negavam a sair do leito e agora já estão mais ativas e evoluindo para o nível mais próximo da alta hospitalar. O recurso contribui para potencializar as habilidades motoras, perceptivas, visuais, sociais e cognitivas. Difícil mesmo é depois de toda a brincadeira, levar as crianças para a cama novamente”, diz ela.
Segundo Monizze, é fundamental que a criança se envolva nas atividades propostas e que os brinquedos sejam atrativos para uma resposta mais ativa durante as terapias, que devem gerar prazer para obter resultados eficazes e produtivos. “Estamos mostrando que é possível associar a brincadeira aos procedimentos médicos, o que torna o atendimento mais humanizado e bastante dinâmico”, comentou, sem esconder a satisfação dos excelentes resultados apresentados e a adesão de seus pequenos usuários.
Mães e filhos juntos na recuperação
Iago Lacerda Pinheiro, de quatro anos, residente em Portel, está internado no hospital há duas semanas e é um exemplo de reabilitação e desenvolvimento emocional. Depois de passar por uma cirurgia para a retirada de apêndice, o menor não interagia com os demais internados e nem com a equipe médica. “Mas quando ele passou a fazer parte do grupo de crianças que empinam pipas evoluiu significativamente. Voltou a interagir e hoje está mais ativo, em franca recuperação”, revelou a fisioterapueta.
De acordo com Monizze, não é de hoje que a equipe de fisioterapia do HRPM busca alternativas para tornar o atendimento mais agradável, divertido e humanizado. A manifestação do lúdico no atendimento à criança pode apresentar caráter terapêutico. “Uma única atividade lúdica pode oferecer diversas funções, como promover melhor interação criança/ terapeuta e estimular o resultado desejado”, ressaltou. E destacou alguns cuidados que são tomados na hora da brincadeira: não costumamos usar em hipótese alguma linha cortante (cerol) e orientamos os pequenos a não soltar pipas perto de antenas, fios telefônicos ou elétricos; buscar por lugares abertos, como parques e praças; e atentar para motos e bicicletas.
O Hospital Regional Público do Marajó (HRPM), localizado no município de Breves, atende as patologias de média e alta complexidade, possui centro cirúrgico com UTI adulto, infantil e neonatal, corpo clínico habilitado e tecnologia de ponta que assegura qualidade no atendimento à população dos municípios vinculados ao 8° Centro Regional de Saúde (8° CRS), que é composto pelas localidades de Bagre, Curralinho, Anajás, Portel, Melgaço, Gurupá, além de Breves.
Serviço: O HRPM dispõe de atendimento ambulatorial de segunda a sexta-feira, das 7 às 18 horas. O hospital está localizado na Av. Rio Branco, 1.266, Centro. Mais informações: 3783-2127 / 3783-2140.

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