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| O menor Iago não perde uma "sessão" de pipa |
A rotina das
crianças internadas no Hospital Regional Público do Marajó (HRPM) ganhou
um novo colorido com a associação de uma atividade inusitada à fisioterapia
clássica: a brincadeira de pipa. Aos fins de tarde, os pacientes da ala
infantil que se recuperam de cirurgias ortopédicas, torácicas e abdominais
passam um bom tempo empinando pipas na área externa do hospital,
acompanhados por profissionais da equipe de Fisioterapia do HRPM. O
objetivo é tornar o atendimento mais agradável, divertido e
humanizado. A prática vem ganhando, a cada dia, mais adeptos e surtindo
excelentes resultados, estimulando o desenvolvimento físico e motor,
além do bem estar desses pacientes.
A idéia de
inserir a brincadeira de empinar pipa às atividades fisioterápicas surgiu
naturalmente. A coordenadora do serviço de Fisioterapia Pediátrica e
Neonatal do HRPM, Monizze Carleto, explica que tudo começou numa tarde de
domingo quando o fisioterapeuta Thales Custódio, durante um treino de
marcha pela área externa do hospital com o pequeno Alexandre Rodrigues
Monteiro, 8, internado no hospital desde o início de junho, devido a uma
inflamação no fêmur. “Durante a caminhada os dois viram que uma pipa caiu no
jardim, e percebendo a empolgação da criança o fisioterapeuta pegou o brinquedo
e deu de presente à criança, que imediatamente pediu que o ajudasse a
empiná-la. Daí surgiu à ideia de utilizar pipas no processo de reabilitação”,
relatou a fisioterapeuta, relembrando que o pequeno Alexandre passou por um
período com comportamento arredio e apático. Segundo ela, hoje o menino é
um dos primeiros a se dispor a participar da atividade.
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| Monizze Carleto (centro) e equipe da Fisio com a crianças |
Monizze explica,
que em muitos casos, o ambiente hospitalar deixa as crianças com apatia, e
algumas vezes, ficam relutantes para sair do leito e caminhar na área externa
do hospital, que é totalmente arborizada. É nesse momento que o atendimento
humanizado mostra sua importância. "Essa inovação vem sendo usada com
crianças que se negavam a sair do leito e agora já estão mais ativas e
evoluindo para o nível mais próximo da alta hospitalar. O recurso
contribui para potencializar as habilidades motoras, perceptivas, visuais,
sociais e cognitivas. Difícil mesmo é depois de toda a brincadeira, levar
as crianças para a cama novamente”, diz ela.
Segundo Monizze,
é fundamental que a criança se envolva nas atividades propostas e que os
brinquedos sejam atrativos para uma resposta mais ativa durante as terapias,
que devem gerar prazer para obter resultados eficazes e produtivos. “Estamos
mostrando que é possível associar a brincadeira aos procedimentos médicos, o
que torna o atendimento mais humanizado e bastante dinâmico”, comentou, sem
esconder a satisfação dos excelentes resultados apresentados e a adesão de seus
pequenos usuários.
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| Mães e filhos juntos na recuperação |
Iago Lacerda
Pinheiro, de quatro anos, residente em Portel, está internado no hospital
há duas semanas e é um exemplo de reabilitação e desenvolvimento emocional.
Depois de passar por uma cirurgia para a retirada de apêndice, o menor não interagia
com os demais internados e nem com a equipe médica. “Mas quando ele passou
a fazer parte do grupo de crianças que empinam pipas evoluiu
significativamente. Voltou a interagir e hoje está mais ativo, em franca
recuperação”, revelou a fisioterapueta.
De acordo com
Monizze, não é de hoje que a equipe de fisioterapia do HRPM busca alternativas
para tornar o atendimento mais agradável, divertido e humanizado. A
manifestação do lúdico no atendimento à criança pode apresentar caráter
terapêutico. “Uma única atividade lúdica pode oferecer diversas funções, como
promover melhor interação criança/ terapeuta e estimular o
resultado desejado”, ressaltou. E destacou alguns cuidados que são
tomados na hora da brincadeira: não costumamos usar em hipótese alguma
linha cortante (cerol) e orientamos os pequenos a não soltar pipas
perto de antenas, fios telefônicos ou elétricos; buscar por lugares abertos,
como parques e praças; e atentar para motos e bicicletas.
O Hospital
Regional Público do Marajó (HRPM), localizado no município de Breves, atende as
patologias de média e alta complexidade, possui centro cirúrgico com UTI
adulto, infantil e neonatal, corpo clínico habilitado e tecnologia de ponta que
assegura qualidade no atendimento à população dos municípios vinculados ao 8°
Centro Regional de Saúde (8° CRS), que é composto pelas localidades de Bagre,
Curralinho, Anajás, Portel, Melgaço, Gurupá, além de Breves.
Serviço:
O HRPM dispõe de atendimento ambulatorial de segunda a sexta-feira,
das 7 às 18 horas. O hospital está localizado na Av. Rio Branco, 1.266,
Centro. Mais informações: 3783-2127 / 3783-2140.



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